DRÁCULA

13:32

Eu lembro que o assunto entrou nos trends do Twitter na época da estreia na Netflix e lá ficou por um bom tempo.
O livro é bom, além de ser um clássico (óbvio), o que por si só já é metade do trabalho rumo ao sucesso. Agora pegar um texto centenário, feito para as pessoas que viveram em 1901, com hábitos do cotidiano daquela época, e conseguir reformular e tornar interessante para o exigente publico do século XXI, isso sim merece uma salva de palmas.
Parabéns Netflix! Seu Drácula ficou fantástico (menos no ultimo episódio).

Algumas coisas mudaram de lugar na nova narrativa, mas a linearidade da trama (até certo ponto) segue o fio criado por Bram Stoker em 1901. Primeiro temos um Conde fraco tratando de negócios com Jonathan Harker, depois sua partida para Londres no Demeter... tudo como descrito no livro. Mas o que leva a cada um desses acontecimentos é que é o interessante. Mas falemos sobre as mudanças.

Na série da Netflix, por exemplo, Van Helsing é uma freira obcecada pelo obscuro, com uma personalidade bem semelhante a do personagem original. Outros nomes fazem apenas uma entrada pontual (eu queria tanto que tivessem aproveitado melhor a Mina do livro), e também temos novos rostos na história, como a namorada que o Drácula teve quando (ela) era jovem, e o ajudante/penetra no navio que leva o Conde ao Novo Mundo.

Mas como nem tudo são flores...
Me recusei a acreditar nos reviews do ultimo episódio (são três, no total), e em sua nota baixa no IMDB. E não gostei não por estar pré-programada a isso, veja bem, mas porque, sabe... Depois de assistir dois capitulos bem estruturados (gente, o Conde é divertidíssimo!), com um vilão maravilhoso e alguém a altura para bater de frente e enfrentar o vampiro, ver o final da história se desenvolver com protagonistas fracos se tornou maçante - até a explicação para o Conde ser "alérgico" ao Sol, que outrora podia ser muito legal, ficou a esmo. Os roteiristas da Netflix deviam ter seguido sua própria ideia do tempero, transformada em piada e tanto explorada no segundo episódio da série.
Porque veja só, faltou páprica.


Anne Rios
amodafala@gmail.com

Mutti

13:01

Quase perdi o prazo para assistir...

É que Mutti deveria fazer parte de um festival de cinema que ia acontecer lá no MIS - Museu da Imagem e Som. Só que o evento presencial foi cancelado (sabemos bem o porque), e o Cinefantasy foi parar no recém inaugurado streaming do Cine Belas Artes.
Mas do que se trata esse "Mutti" que eu queria tanto assistir?

Mutti, veja bem é um curta alemão sobre um alienígena que quer dominar o mundo, primeiro se infiltrando num corpo feminino, mas que chega a conclusão de que para conseguir seus objetos, precisa obrigatoriamente ser hospedeiro em um homem, porque o alienígena segue achando que são eles que mandam na bagaça toda.

Se tem uma reclamação que faço questão de trazer aqui é a duração do curta. Poxa gente, só 7 minutinhos? Eu poderia assistir duas horas fácil - a trama é tão interessante! Além de bem filmado, tem uma mega qualidade de imagem, e uma trilha sonora que é impecável (fiquei toda arrepiada e tive vários pesadelos na primeira vez que assisti).

Fiquei curiosa para conhecer mais sobre Mutti e dei uma fuçada nas internê, no que achei várias fotos do making of que me espantaram. Veja só, na minha inocência nunca imaginei que um curta de 7 minutos, com três atores, precisaria de tanta gente e de tanto equipamento para ser produzido - tenho tanto para aprender...!

Além de assistir um programa incrível, pude rever (ainda que virtualmente) o amigo Nicolò Pasetti, que deu vida inicialmente ao personagem do "noivo". Aliás foi ele, que sempre divulga todos os seus trabalhos com um baita orgulho, que contou sobre Mutti. Felizmente o curta alemão chegou no Brasil (coisa rara) e pude assistir com legenda - além de claro, dar uma força para um amigo querido.


Anne Rios
amodafala@gmail.com

THE BROKEN HEARTS GALLERY

17:18

Que saudade que eu estava de assistir uma comédia romântica no minimo decente e que não fosse estrelada por atores adolescentes (mesmo que The Broken Hearts Gallery tenha o tema clichê de sempre, mas quem se importa).

Então nossa protagonista Lucy, depois de passar por uma grande perda (que você só descobre qual é quase no final do filme), começa a acumular objetos que a lembrem momentos vividos com seus namorados - detalhe que quando o relacionamento acaba ela não joga nada fora. O que a leva, como diz o titulo, a montar uma galeria com as "tranqueiras" dela e de todos que estejam dispostos a se desfazer de objetos que os lembrem das pessoas que um dia amaram.

Todo esse rolê é motivado pelo mais recente termino da garota, que é jogada para escanteio quando a ex do namorado volta de Paris; e pelo fofo Nick, que vem tentando já há alguns anos terminar a reforma de um hotel em Nova York - os dois se conhecem quando ela no carro dele por acidente achando que era o UBER que tinha acaba de chamar.

Achei que seria um filme divertido de assistir, e foi mesmo!, exatamente o que eu precisava ontem a noite. The Broken Hearts Gallery tem uma protagonista com personalidade forte, além de divertidíssima, que sabe (as vezes não da melhor maneira) ir atrás do que quer, mas que também é um pouco cabeça dura (não vi um motivo sólido para uma certa briga acontecer e para ela não aceitar o pedido de desculpas de Nick).

O que também super funcionou foi o elenco de apoio, no caso as colegas de quarto de Lucy. Tem uma que é fofa e outra que aparenta ter um coração frio como a neve, mas isso é só o jeitinho dela. Confesso que fiquei feliz pelos personagens secundários terem mais funções do que apenas "fazer uma entrada pontual" para depois serem completamente ignorados pela trama, como aconteceu com o filme italiano que assisti semana passada.


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Una Storia Senza Nome

18:01

Aconteceu um festival de cinema italiano (virtual, dada as circunstancias) com 20 títulos para assistir de graça a escolha do telespectador. Uma oportunidade única onde eu não soube encontrar o tempo para aproveitar, mas enfim...
Pelo menos consegui assistir um filme aos 45 do segundo tempo.

Escolhi "O Caravaggio Roubado" (nome em português do filme) pela sinopse: uma moça trabalha como ghostwriter cinematográfica para o crush, que não está nem aí para os sentimentos românticos dela, mas que dá corda mesmo assim. E essa moça é procurada por um velhinho misterioso (que sabe da profissão secreta dela) com uma história que ele tem interesse que chegue as grandes telas.
Só que a história (no caso o roubo de um Caravaggio pela máfia italiana) é bem real, e um monte de gente se envolve em uma enrascada atrás da outra por causa desse roteiro. Mas atenção que pode não ser bem assim - até porque entendi bulhufas do final (até pensar em assistir de novo eu pensei....).

A história tem várias reviravoltas (se você prestar atenção não tem como se perder), que mesmo sendo previsíveis conseguem encantar. Coisas nível Missão Impossível, sabe? Mas o final... Fofuchos, não entrou na minha cabeça como uma mulher procurada por toda a máfia italiana, que se esconde a pedido de seu mentor, aparece "seis meses depois" de boas na estreia do filme que já nem sei se as pessoas sabiam que era dela ou não. E se o filme deu a resposta, eu não pude perceber. 
O que me deixou muito frustada - mas talvez eu só não tenha ainda a bagagem intelectual necessária para entender as nuances do cinema italiano.

E aí temos um filme lindo (alta qualidade resume), bem desenvolvido, com imagens lindas e personagens interessantíssimos, que só não gostei mais porque precisei passar duas horas vendo uma mulher correr atrás de um homem que claramente não está nem aí para ela. 


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CASABLANCA

15:15

Assisti esse filme duas vezes: uma antes de 2009, e a outra quando comprei o DVD lançado pela Folha De São Paulo, que vinha acompanhado de um livrinho com informações técnicas sobre o elenco e etc. Sempre achei o filme um pouco bobinho, às vezes até entediante. Só que eu resolvi estudar cinema...

Fiquei sem saber muito por onde começar até olhar para minha edição de Casablanca, "é um clássico", pensei. E poderia ser um bom ponto de partida. 
Questão interna resolvida, seguiram-se várias horas de leitura e documentários no YouTube sobre o filme. Claro que eu sabia que se tratava de um clássico, mas nunca imaginei que ele fosse tão importante. Porque veja bem, Casablanca deveria ter sido apenas mais um filme lançado em 1942, mas tudo que podia acontecer para eternizar a história de amor de Rick e Ilsa aconteceu. E hoje ele está aí, disputando o tempo todo com Cidadão Kane o posto de melhor filme de todos os tempos.

Ontem, depois de me aprofundar nas histórias dos bastidores de Casablanca e do contexto histórico a época de sua produção, eu assisti o filme pela terceira vez, e me apaixonei completamente. Pelo novo olhar com que eu o enxerguei, pude entender melhor seu enredo, seus personagens, o motivo para sua existência... foi como assistir a um filme completamente diferente.
Penso como pude ter achado Casablanca tão "blá". Mas por que eu haveria de pensar o contrário? Só por que é clássico? Nunca ninguém tinha me ensinado o real motivo para o filme carregar esse título, logo pensei que era só outro filme em preto e branco.

Hoje com a pandemia não restou alternativa se não falar de filmes que já existem, e muitos críticos e entusiastas da sétima arte estão aproveitando esse momento para revisitar a história do cinema antes restrita a livros difíceis de serem lidos.
Não vi ninguém que acompanho falando de Casablanca, esse fui buscar por mim mesma. E que bom que fui, não só por mim mas para levá-lo (lá no meu Instagram) para toda uma geração que não nunca ouviu falar no nome de Ingrid Bergman.


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Reflexões Cinematográficas

20:37

Uma vez Cátia Fonseca perguntou para Alexandre Landucci (ex-crítico de cinema e uma de minhas inspirações para adentrar na profissão) se ele curtia ir com a namorada assistir um filme em seus momentos de lazer. Ele foi categórico em dizer que não gostava de fazer no descanso o que fazia como seu trabalho.

Lembrei disso com Alê e também de um fotografo residente em Londres, que uma vez fez um vídeo para seu canal no YouTube dizendo "se meu amigo liga me convidando para dar um rolê no parque, ele leva o skate e eu a câmera para fazer umas fotos, e eu não quiser porque já tiro foto o dia todo, então eu tô na profissão errada".
Pegou o paralelo?

Pensei nisso depois que comecei a assistir alguns vídeos que venho encontrando de Rubens Ewald Filho, enciclopédia ambulante que assistiu mais de 35.000 mil filmes em sua vida - saudades dele.
Esse foi um cara completamente apaixonado pelo cinema, não tinha tempo ruim para ele quando o assunto era sétima arte. O moço entendia de história do cinema, de atualidades, quem fez o que... ele era um poço de conhecimento.

Semana passada o vi contando - num vídeo que tem uns 5 anos - um causo especifico que me fez pensar cá com meus botões: antigamente, Rubens pegava um avião para a Europa pagando do próprio bolso, só para assistir algum filme massa super importante que não tinha previsão de estreia no Brasil. E ele disse também que hoje o povo tem tudo na mão (internet, etc), e não usa.

E Rubens estava coberto de razão. Como podemos viver assim?
Misericórdia... pula do barco e acorda pra vida que ainda dá tempo, fofucho. Eu vou ali assistir algum filme de terror - com medo, mas vou.


amodafala@gmail.com

Prelúdio De Um Casamento

09:42

Uma das coisas boas de estar vivendo em um país do chamado "primeiro mundo" são as vantagens do transporte coletivo. Nem estou sentindo, aqui do meu assento da terceira classe, o trem se mover .
A viagem estava bem tranquila.

Até que te vi entrar no vagão e se sentar na fileira paralela a mim. Pensei em ir dar um oi mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, perguntar do seu bebê e dizer o quanto é grande minha admiração pelo seu trabalho. E pensei tanto que quando dei por mim você estava compenetrado desenhando no seu caderninho. Me desenhando.

Fiquei na dúvida se ficava sem graça ou lisonjeada por ser um modelo vivo interessante o suficiente para você. Mas pela dúvida evitei de me mexer muito para não te atrapalhar, e usei minha visão periférica para acompanhar seu progresso no desenho. Será que você postaria o resultado no Instagram como sempre faz?

Usando meu questionamento como desculpa para não ir falar com você (fiquei com vergonha) abri o aplicativo para ver se seu desenho seria publicado quando te vi tirando uma foto do seu caderninho. E não é que lá estava eu no seu feed?

O plano virou deixar o comentário "você capturou bem a minha personalidade, e confesso que meu cabelo ficou bem melhor no seu desenho do que em mim" e ir até o seu assento. Mas depois de apertar "enviar", quando ia me levantar, não te vi mais lá e sim do lado de fora de trem, espantado olhando para a tela do celular, e depois para dentro do vagão onde eu estava sentada.

Mandei um aceno sem graça com a mão enquanto dizia "hey" e via sua expressão de surpresa te deixar sem fala.
Assim o trem partiu, mas foi legal te conhecer.


amodafala@gmail.com